9ª MASTERCLASS – Os segredos das fazendas lucrativas no período da seca

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Dia 15 de Março ocorreu a nona Masterclass da safra 2021/2022. Janaína Martuscello discorreu sobre o tema “Os segredos das fazendas lucrativas no período da seca”. Martuscello pontuou que todos os anos, devido a diferença de temperatura, umidade e incidência solar há sobras e falta de forrageira dentro da propriedade.

Geralmente, um grande erro cometido é aumentar sem planejamento a lotação no período das águas, acarretando em uma maior exigência de pastagem, e consequentemente, um menor desempenho no período seco. É necessário estimar a capacidade de suporte da fazenda, onde é avaliado o número de animais para que não haja degradação de pastagem.

A principal estratégia para a seca é o planejamento. É importante planejar a oferta e a demanda de forma anual, trabalhando com uma margem de no mínimo 20%. O planejamento forrageiro ocorre em três níveis: Estratégico, tático e operacional. O primeiro é realizado a longo prazo, considerando pelo menos 5 anos, e é estabelecido os regimes de produção de acordo com o clima da região. Quando considerado o nível tático, se planeja a médio prazo, deve ser realizado todos os anos, onde é prevista a quantidade de comida que será necessária. Já o último nível é de curto prazo, o dia a dia da fazenda, importante revisitar e planejar as operações para que não seja um eterno “apagar incêndios”.

A escolha da forrageira certa é fundamental para um bom resultado. Sempre optar pelas mais resistentes e que possuam menor sazonalidade de produção, como as gramíneas do gênero Brachiaria. É importante tambémde terdiversidade de pastagens dentro da fazenda.

A utilização de leguminosa se mostra como uma interessante estratégia entressafras, onde, no geral, apresentam melhor valor nutritivo que as gramíneas, conferindo maior qualidade da dieta. Algumas leguminosas, podem aumentar a resiliência dos sistemas de produção, pela capacidade de crescimento ou manutenção de folhas em condições de déficit hídrico, isso, porque apresentam sistema de raízes que exploram camadas mais profundas

Além disso, para que a forrageira possa de fato resistir a seca é preciso garantir o bom desenvolvimento do sistema radicular. Para tal, a adubação é de suma importância, pois, quando é aumentada a intensidade de pastejo, há uma maior remoção de forragem, uma menor ciclagem de nutrientes e se não houver uma adubação correta, a sustentabilidade do sistema é comprometida.

Outra técnica utilizada é a sobressemeadura, sendo o estabelecimento de plantas forrageiras, gramíneas perenes e/ou leguminosas em pastagens estabelecidas. Este método permite diminuir o impacto da estacionalidade de produção nas pastagens, complementando a produção de matéria seca (MS). Porém é importante que haja irrigação, pois a água pode ser um fator limitante para as culturas utilizadas.

O diferimento de pastagens é uma estratégia de manejo que consiste em selecionar determinadas áreas da propriedade e excluí-las do pastejo. Desta forma garante-se o acúmulo de forragem para ser usada no período da seca, entretanto com baixo valor nutritivo. Dentro desta tática, é importante não deixar o pasto isolado por muito tempo, pois pode sofrer acamamento e dificuldade de utilização pelos animais. Este problema pode ser evitado rebaixando bem o pasto antes de inutiliza-lo, além escalonar sua utilização. Um outro ponto importante do diferimento é a oferta de concentrado com o objetivo de estimular o consumo do pasto diferido. Isso porque, pastos diferidos apresentam baixa proteína e alta fibra. O diferimento deve ser utilizado por animais com menor exigência nutricional e não deve passar dos 100 dias para ser utilizado.

Por fim, o uso da ILP como estratégia para seca promove prolongamento da qualidade do pasto após a retirada da lavoura durante a seca. Além disso, após a colheita da lavoura, o capim se beneficiará do efeito residual de sua adubação, e terá suas exigências atendidas. Destaca-se também o fato de que a reserva de volumoso para a seca fica garantida na forma de silagem.

Manter pastos bem manejados nas águas favorece seu desempenho na seca, mas não se pode esperar a mesma produção. Por isso, a segurança alimentar da fazenda para o período seco deve ser umas das prioridades.