3ª MASTERCLASS – Como Ter Alta Produtividade nas Águas

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Dia 21 de Setembro ocorreu a terceira Masterclass da safra 2021/2022. Janaína Martuscello discorreu sobre o tema “Como Ter Alta Produtividade nas Águas”, que possui suma importância pois é dentro do período das águas que a fazenda deve buscar ter maior eficiência em produção forrageira, período onde o custo é menor e a tonelada do capim fica mais barato.

Para iniciar, Martuscello destacou 4 informações primordiais para uma melhor otimização forrageira:  

1 – Pasto é Lavoura: O maior problema da pecuária é não tratar a pastagem como tal. Os pastos geralmente são renegados, é necessário saber onde está errando, qual a produtividade e custo do hectare para conseguir descobrir quais são os maiores gargalos;

2 – Dinheiro é capim: Apesar de não haver venda de capim, o mesmo é convertido em @ pelo animal, ou seja, a produção animal é totalmente dependente da eficiência do manejo das pastagens;

3 – No pasto é mais barato: A produção animal a pasto é geralmente a forma mais barata de produção, desde que feita da maneira correta;

4 – No período das águas o custo de produção é menor: Deve ser feito com muito mais atenção, pois é onde será construída a margem financeira e produtiva para o período das secas.

Além disso, existem paradigmas que devem ser quebrados dentro da produção de pastagens, como por exemplo, ser necessário deixar o pasto sementar para o primeiro pastejo. O ideal é já deixar o animal pastejar 30 dias após o plantio da forrageira. Além disso, pasto alto não é sinônimo de pasto bom, a altura máxima para manejo de capim é de 90 centímetros, acima disso, haverá perda de qualidade.

Outro grande mito sobre pastagens é que não é preciso adubá-las. É necessário entender que o solo é uma fonte finita e caso seja utilizado indiscriminadamente, haverá perdas na produtividade. Dentro do Brasil, estudos demonstram que 80% das áreas de pastagens são degradadas, principalmente por esta falta de cuidado.

Por fim, acredita-se que quanto maior a taxa de lotação melhor, porém, por si só está métrica pode não fornecer informações precisas, sendo necessário verificar também a taxa de oferta das forrageiras.

O manejo de pastagens é definido como otimização da produção de forragem para a maximização da produção animal. Porém, não é interessante maximizar a produção das plantas forrageiras, pois plantas tropicais tendem a alongar o colmo quando em sombreamento. Com isso, há diminuição na proporção de folhas, que deve ser o principal objetivo de produção de pastagens. As folhas além de serem selecionadas primariamente pelos animais, possuem maior degradabilidade ruminal e maior valor nutricional para o animal em comparação aos talos que possuem maior deposição de lignina e fibra.

Dentro da dinâmica do processo de manejo, existem três etapas: o crescimento, a utilização e a conversão. A forragem que foi produzida será consumida, utilizada e convertida em produto animal. A utilização pelo animal (ou manejo) é responsável por 80% do sucesso da atividade, enquanto o crescimento e a conversão são responsáveis por apenas 12% e 8% respectivamente. Ou seja, em uma escala de prioridade, aprender a manejar pasto é mais importante do que trocar a planta, adubar ou trocar a genética animal.

Para o manejo correto das pastagens, dois conceitos possuem grande importância: pressão de pastejo, que é a relação entre unidade animal e peso de massa seca, e a capacidade de suporte, que é definida como a taxa de lotação máxima que irá determinar um certo nível de desempenho sem deteriorar o sistema. Sendo assim, é necessário adotar uma pressão de pastejo que seja compatível com a capacidade de suporte.

Avaliar a qualidade das pastagens é imprescindível para aumentar a rentabilidade. Para se ter o melhor manejo, a altura é uma opção viável em nível prático, visto que para a maioria das forrageiras os critérios de altura já foram definidos cientificamente.  Para o crescimento das plantas, luz e nutrientes do solo são os fatores determinantes.

No período da seca não é somente a água que limita a produção, mas também a incidência de luz e a temperatura. À medida que aumenta a altura do pasto, teoricamente, aumenta a capacidade de interceptação e o acúmulo de forragem. As folhas vão se alongando ao passo que aumenta a altura de pasto, mas em um determinado momento, o acúmulo líquido de folhas cai e a deposição de materiais mais fibrosos é aumentada. Para que isso não ocorra, não é interessante passar de 95% de interceptação de luz.

Para avaliação, a maneira mais prática é a manejar a altura da pastagem. Para cada capim, existe uma altura correta de manejo embasada cientificamente.

O papel da adubação no manejo de pastagens é acelerar a formação, manter a produção ou aumentar a taxa de lotação, acelerar a rebrota, diminuir período de descansos e aumentar o número de ciclos. A adubação deve ser feita de forma estratégica para garantir altas produções.

O uso de promotores de crescimento das pastagens e adubação foliar só deverá ocorrer após o básico acontecer, ou seja, depois de saber adubar, colher e fazer correta adubação do solo. Só depois da correção do solo, é que se sabe colher e manejar o pasto.

Colher bem é a prioridade, não adianta produzir e não colher. Além disso, não se pode produzir sem ter o que colher. O bem mais precioso de uma fazenda é o capim, e este deve ser valorizado como tal.